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Mostrando postagens de junho, 2021

RETRATOS E ARREIOS...

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RETRATOS E ARREIOS  Chego em casa, a roupa rasgada  Meus dias quase contados As minhas frases fragmentadas... Cantadas, pausadas... Quando abro as cortinas de meus olhos, Vejo a sala, os quartos, A cama desarrumada, Tudo vazio, sem você ! As paredes vazias e Os nossos arreios descansam  Pousados na caixinha que já coleciona a sua terceira argola  Que fez ali, sua moradia... Quando começamos a nos entender A nós ouvir... Aparece alguém e diz : __ Não estou gostando desta conversa. Como se  a nossa infelicidade lhes interessasse tanto... E o tempo não responde... Não alimenta a Alma  Não segura o reboco de nossa parede Não há reencontros  Quando há incertezas do frio  O verão na aurora já foi... é hoje ato de outrora... Até mesmo as pétalas deixaram seu aromas  E meu amor aos poucos abandona  Retratando o nada... Os anos em arreios presos à parede Vez ou outra chicoteiam a vida  Em memórias contadas nos dedos... Que assombro  Que...

A primeira prece....

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  A primeira prece Na madrugada o homem, sequioso de aventuras, chegou ao deserto de Gila, no Novo México. Estacionou o caminhão e iniciou a caminhada de 32 quilômetros, para se encontrar em um acampamento, com seu grupo de alunos. O verão era implacável e o sol ardia como fogo. O professor começou a sentir que as botas não eram as ideais para aquele clima. Parou, arejou os pés, colocou outras meias, acelerou o passo, reduziu a marcha. Nada funcionou. Ao cair da noite, chegou ao acampamento. Os pés estavam uma chaga viva. Eram bolhas e machucados o que viu quando descalçou as botas. Apesar de tudo nada comentou com ninguém. Dialogou com os instrutores e com os garotos. A madrugada o surpreendeu em repouso. Quando a manhã se fez clara, veio o alarme. Um dos garotos sumira. O professor sentiu o peso da responsabilidade, antevendo as ameaças do deserto cruel que o menino iria enfrentar. Calçou as botas outra vez e teve a impressão de estar andando sobre vidro quente. Tropeçou, arrasto...

O QUE SE DÁ PARA UM AMIGO ?!

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  O que se dá para um amigo? Amigo é um ser muito especial na vida de cada um de nós. Quem tem um amigo, guarda a certeza de que jamais enfrentará tempestades a sós Sempre poderá contar com um ombro acolhedor, uma mão que se estende, alguém que chora e se alegra com as suas dores e as suas alegrias. E quando se deseja presentear um amigo, o que se deve dar? Por vezes, ficamos preocupados, porque desejamos ofertar o melhor ao amigo e nos faltam recursos amoedados. Essa indagação nos recorda de uma história que aconteceu durante a Segunda Guerra Mundial, em terras alemãs. O tempo era de escassez, de medo e perseguições. A família era alemã, em solo alemão, ocultando, na intimidade da sua casa, um judeu. Pior que tudo: um judeu enfermo. E Max era isso: um judeu muito doente. A menina da casa lhe cedeu a cama. Ela já fora conquistada por aquele homem solitário e tão perseguido. Somente por ser judeu. Fora conquistada pela sua forma de parecer invisível, de não desejar incomodar, de qua...

Se eu pudesse - Fernando Pessoa

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Machado de Assis

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SABER MORRER...

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   Saber morrer Morrer. Desse destino, nenhum ser humano escapará. E, no entanto, como tememos esse momento! Com que dor a maioria de nós pensa no instante da morte. É que fomos ensinados a temer a morte. Ela nos é apresentada como sinônimo de lágrimas, instante de trevas, definitiva separação dos seres amados. Abismo e tristeza. Aprendemos que a morte se faz de luto e mistérios, névoa e saudade. Mas é preciso se preparar para a chegada da hora final. Afinal, a cada dia se reduz nossa estada na Terra. Desde que nascemos, cada respiração assinala a diminuição de nosso tempo no planeta. Porque o ritmo da vida material nos envolve, quase sem perceber, deixamos de lado a lembrança de que caminhamos mais um passo em direção à morte. O fim é apenas do corpo físico, pois a alma - a essência do que somos - esta existirá para sempre. Os séculos correrão, mas nós... Nós sobreviveremos. Nessa longa estrada que é a vida, muito iremos aprender. Outros amores, parentes, lugares e situações ...

Os meus SONHOS...por Fernando Pessoa

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 Os Meus Sonhos São Mais Belos Que A Conversa Alheia (Fernando Pessoa) “Não faço visitas, nem ando em sociedade alguma - nem de salas, nem de cafés. Fazê-lo seria sacrificar a minha unidade interior, entregar-me a conversas inúteis, furtar tempo senão aos meus raciocínios e aos meus projectos, pelo menos aos meus sonhos, que sempre são mais belos que a conversa alheia.  Devo-me a humanidade futura. Quanto me desperdiçar desperdiço do divino património possível dos homens de amanhã; diminuo-lhes a felicidade que lhes posso dar e diminuo-me a mim-próprio, não só aos meus olhos reais, mas aos olhos possíveis de Deus.  Isto pode não ser assim, mas sinto que é meu dever crê-lo" #poetizando #fraterabiliomachado #poethaabiliomachado #FernandoPessoa #pessoamedizmuito #poesiabrasileira #poetasbrasileiros 

SOMOS HOMENS MORTOS...

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  SOMOS HOMENS MORTOS O poeta diria a ele Levante, reaja Lute, resista Alce vôo... Porém um homem está: Surdo, mudo, cego e corrompido. Deixou seus alicerces enfraquecerem Quando vendeu  seus primeiros valores Trocou sua paz à noite  Por presentes, bugigangas, das naus Se deixou burlar Em declínio quando deformou sua melhor criação: a divindade. Deixou de proteger os pequenos Para usa—los em sacrifício. Sacrifícios ao prazer Ao ter, ao possuir... Mesmo que não assuma Deixou um mundo de vida Para os percalços Para as crateras da alma As feridas de sua aura... E se....  Aí daquele que dele discorda Não aceita, rejeita... Deixou de dizer somos todos irmãos Para o mal usado cliché: Somos todos mortos. Mortos de fé Mortos de crer Mortos por fazer Mortos por aceitar... Aceitar irmos submissos ao matadouro Depois de colher a prata e o ouro Finalmente percebemos Daqui não se leva nada So aquilo que é eterno. #PoethaAbilioMachado #somoshomensmortos #comoehodespertar

ESSE EU ....

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  ESSE EU Eu não tinha este jeito Esta cor de cabelos em riscas prateadas Nem minha barba tão florescida Eu, eu não tinha o rosto de hoje Um rosto estranho da plástica que um dia fui Um semblante hora triste Hora enigmático Olhos tão vagos E este lábio em silêncio e De beijo hoje tão amargo. E estas mãos inchadas Há força, mas a força não deve ser usada O coração pede por socorro E as mãos antes tão poderosas Hoje nem tão distantes Ainda mortais E este mesmo coração  Se esconde Não se mostra Não se revela Nem na noite romântica  à luz de velas... Estas mudanças são o tudo do desenho da vida Simples, certeira e questionadora: Onde fiquei guardado,  em qual espelho minha imagem ficou lá.... Desmedida, sozinha,  Registro no tempo Onde esse eu agora Murmura, imagina, inventa Só neste cansaço Seria eu um risco  Rabisco de poetha ao sussurrar: —Saudoso do que não faço, —Do que faço, arrependido! #PoethaAbilioMachado #AbilioMachadopsic #esseeu 🎅