Letras caídas, letras desnudas...
* LETRAS CAÍDAS, LETRAS DESNUDAS * As letras caíram no chão, uma a uma, sem pressa, Desfizeram-se entre lágrimas e sombra, Páginas abertas, segredos à beira da prece, E o chão, cúmplice mudo, as palavras sonda. Cada verso é um eco do que não foi dito, Um silêncio quebrado por dor e desejo, O amor escondido em rimas sem grito, Na curva da lágrima, em cada ensejo. Sentimentos soltos, desfeitos no ar, Dançam no chão, livres do papel preso, Como folhas ao vento a se espalhar, Segredos de um coração em desalento aceso. Sussurram memórias que o tempo não cura, Histórias de amores perdidos, sem paz, Das noites longas, banhadas de lua, E dos olhos que choram o que o peito faz. Oh, como é bela a tristeza escrita, Entrelaçada em rimas e dores tão fundas, O poeta chora, mas sua alma palpita, E nos versos caídos, o mistério inunda. A poesia se foi, mas deixou seu perfume, Um rastro de amor em gotas de pranto, E ali, no silêncio, o coração assume Que amar é cair, e se ...