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Mostrando postagens de junho, 2025

Versos Atravessados

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 VERSOS ATRAVESSADOS Brincadeira séria essa  montar palavras, E delas os versos Passar os olhos nas ruas Passar as vistas  Perceber as custas Os desamparos Os temores  Os jovens rebeldes Desprovidos de sensatez  Dos velhos ansiosos Seria a chance de partida Breve ou... Bater no peito e gritar: Já vi e fiz de tudo e Não será um bicho invisível  Que irá me derrubar... Nos atropelos dos versos É que reside a música É usar a máscara quando se deve É descrever aquilo que se pode... Mesmo que a Raimunda Nas mentes perdidas Não se busque outra rima, Outra, que no profundo desejo, que perplexo,  mesmo desconfiado, agora, Descubro ainda me inunda! #poethaabiliimachado #versosatravessados 27062020 (É na resposta de Pérola,16h30, que me fez colocar lenha no forninho mental)

 Por que o ponto de interrogação tem essa forma “ ? “

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  Por que o ponto de interrogação tem essa forma “ ? “ Na Idade Média, muito antes das máquinas e da imprensa, livros eram copiados à mão por monges nos mosteiros. Nessa época, os sinais de pontuação como conhecemos ainda não existiam. Para indicar que uma frase era uma pergunta, escrevia-se ao final a palavra quaestio, do latim — que significa “pergunta”. Mas repetir essa palavra inteira era demorado e ocupava espaço precioso nos manuscritos. A solução foi abreviá-la: qo. Ainda assim, havia um problema — a combinação podia ser confundida com outras abreviaturas em latim. Foi então que surgiu a genialidade silenciosa dos copistas: sobrepor as letras. O q em cima, o o embaixo. Com o tempo, o q foi se curvando, estilizado como uma espiral incompleta, e o o se reduziu a um ponto. Assim nasceu o ponto de interrogação — uma pergunta feita símbolo. Uma curva que se dobra sobre si mesma, como quem hesita. E um ponto firme, como quem espera uma resposta. Porque até na dúvida, há beleza. Há...

Entre Linhas e Distâncias

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  Entre Linhas e Distâncias Há pessoas que permanecem… Mesmo distantes, Seguem seus caminhos Com outros amores, Outros risos, Outras rotinas que não nos incluem. Mas não partem por completo. Ficam em nós — Como um perfume na pele, Uma brisa que toca leve, Uma memória que aquece Sem nunca ter sido posse. São presença sem estar, História sem ponto final. São saudade viva, Eco em nossas lembranças, Capítulo que não se fecha. E quem sabe, um dia, Os caminhos se cruzem de novo… Com outras versões de nós, Mais maduros, mais inteiros. Porque há gente que vai, Mas não se despede. Fica ali, Bem dobrada, Naquela gavetinha secreta da alma. #Entre Linhas e Distâncias #poethaabiliomachado #23062512h45

Edith Wharton-a escritora acima de seu tempo.

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  》Nascida em Nova Iorque em 1862, no meio dos luxos e rígidos padrões da alta sociedade. Tudo em seu ambiente foi projetado para moldá-la como uma dama elegante e obediente. Mas Edith Wharton tinha outros planos. Desde pequena que falava francês, alemão e italiano. Mas o que realmente dominava era a arte de imaginar. Aos quinze anos, já tinha escrito um romance de 30.000 palavras e vendido o seu primeiro poema. Tudo em segredo. Tudo sob pseudônimo. Porque no seu mundo, escrever não era coisa de mulher. A literatura foi seu refúgio, sua rebeldia e seu legado. Ao longo de sua vida, Edith escreveu mais de 40 livros e dezenas de histórias, construindo um universo próprio a partir do silêncio para o qual foi empurrada. E um dia, o mundo ouviu. Em 1921, ela se tornou a primeira mulher a receber o Prêmio Pulitzer de Literatura, graças à Idade da Inocência, uma obra que justamente despejava a hipocrisia da mesma sociedade que tentou silenciá-la. Edith Wharton não escreveu apenas livros. E...

Fiodor Dostoiévski

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 》Fiódor Dostoiévski foi um homem assediado pela pobreza e pelas dívidas, lutando continuamente contra circunstâncias adversas e tormentos pessoais: a epilepsia que o afligia, a trágica perda de sua filha mais velha na infância, a morte prematura de seu querido filho Alyosha, a rejeição de seus próprios parentes, a falta de ética de seus colegas escritores e a indiferença do Estado para com ele. No meio deste mundo cruel e impiedoso, a única coisa que o sustentou foi o seu sorriso sincero, as suas boas intenções, a sua humanidade e a sua caneta incansável.  Dostoiévski, romancista e pensador russo.  Entre suas palavras está esta reflexão:  “Sou uma daquelas pessoas difíceis porque me importo com as coisas simples e fico feliz com os pequenos detalhes, e ninguém se importa com essas coisas.”  Dostoiévski também expressou:  “Vivi os piores momentos sozinho”, mas quando ele morreu, mais de sessenta mil pessoas compareceram ao seu funeral!  Dostoiévski foi...

Ode à língua portuguesa de Anisia Cotta (1983)

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  ODE À  LÍNGUA PORTUGUESA Barroca, me disse um amigo ambígua me disse um amante. Só sei que adoro proparoxítonas: píncaro, pêndulo, tarântula... E os "inhos" de paizinho  pãozinho quente mãozinhas de criança   puxãozinho de orelha  cheinho de entornar crescidinha pra namorar. Gosto dos "ões" de tostões porções, monções  orações  canções, cantatas, ai que me perco em tantas tantas palavras cujo som cuja lavra e larvas, lascivas saem macias com a saliva escorregam pela boca                                           e ficam dependuradas singelamente dependuradas                                            querendo ser saboreadas. Amo a nossa barroca e ambígua Língua Portuguesa indecisa, imprecisa, por um triz  deixa de ser rainha e vi...

As meninas

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  AS MENINAS  "Arabela  abria a janela  Carolina   erguia a cortina  E Maria  olhava e sorria:  "Bom Dia!"  Arabela  foi sempre a mais bela.  Carolina   a mais sábia menina.  E Maria  apenas sorria: "Bom Dia!"  Pensaremos em cada menina  que vivia naquela janela;  uma que se chamava Arabela,  uma que se chamou Carolina,  mas a profunda saudade  é Maria, Maria, Maria,  que dizia com voz de amizade:  "Bom Dia!"   _________ Cecília Meireles #psiabiliomachado  #bomdiademaria

Esse eu... (poesia)

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  ESSE EU Eu não tinha este jeito Esta cor de cabelos em riscas prateadas Nem minha barba tão florescida Eu, eu não tinha o rosto de hoje Um rosto estranho da plástica que um dia fui Um semblante hora triste Hora enigmático Olhos tão vagos E este lábio em silêncio e De beijo hoje tão amargo. E estas mãos inchadas Há força, mas a força não deve ser usada O coração pede por socorro E as mãos antes tão poderosas Hoje nem tão distantes Ainda mortais E este mesmo coração  Se esconde Não se mostra Não se revela Nem na noite romântica  à luz de velas... Estas mudanças são o tudo do desenho da vida Simples, certeira e questionadora: Onde fiquei guardado,  em qual espelho minha imagem ficou lá.... Desmedida, sozinha,  Registro no tempo Onde esse eu agora Murmura, imagina, inventa Só neste cansaço Seria eu um risco  Rabisco de poetha ao sussurrar: —Saudoso do que não faço, —Do que faço, arrependido! #PoethaAbilioMachado #AbilioMachadopsic #esseeu 🎅

Feliz dia !

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  Neste dia, pode ser qualquer um que você esteja, o mundo despertou com um brilho especial. O sol, caminhou de tímido no horizonte, pintando o céu com tons de laranja e dourado, para um sol vivido e cheio de fulgor, anunciando um dia repleto de possibilidades. As ruas começaram a ganhar vida lentamente, com o som suave dos pássaros e o aroma inebriante do café recém-passado. É um dia para desacelerar, para sentir cada momento e apreciar as pequenas belezas ao nosso redor. O dia traz consigo uma sensação de leveza, um convite para passeios ao ar livre, para encontros com amigos, para mergulhar em um bom livro ou simplesmente relaxar ao som de uma música favorita. Aproveite este dia para se conectar consigo mesmo e com os outros, para redescobrir a alegria nas coisas simples e para recarregar as energias. Permita-se sonhar, rir e desfrutar de cada instante. Que este dia seja um refúgio de paz e felicidade, um oásis de tranquilidade em meio à correria da semana. Que a luz do sol ilum...

Cadê Meu Pinto ?! - da Serie 30 CAUSOS GELADOS

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  Cadê Meu Pinto? Chegou o inverno. O frio invadiu as frestas da casa, se enfiou por debaixo das cobertas e, sem pedir licença, fez morada no banheiro. E é sempre no banheiro que o inverno mostra sua verdadeira face: cruel, gelado e impiedoso. Pois bem. Hoje cedo, com a coragem de um guerreiro medieval, levantei-me da cama para minha missão matinal. A jornada até o banheiro parecia a travessia de uma tundra siberiana — pés descalços, ar cortante, e o pressentimento de que algo não terminaria bem. Ao chegar lá, tremendo como vara verde, abri o zíper da calça e... pânico. “Cadê meu pinto?” — gritei, em tom de descoberta e desespero, como se tivesse perdido uma parte do corpo no front de batalha. Nada. Sumido. Recolhido como um caracol diante do apocalipse. Como se dissesse: “Vai lá sozinho, herói. Eu fico aqui no modo inverno.” Não me entenda mal — ele ainda estava lá. Só que parecia ter voltado ao modo fábrica, versão 0.5 beta. Tentei esquentar as mãos. Soprei nelas como se fosse re...