Postagens

Lágrima de Soldado

Imagem
   LÁGRIMA DE SOLDADO Sopro do dia, numa ilusão de Alma,  mesmo que o pranto se apresente numa vã agonia... Alimente em mim a vontade De reerguer e brandir minha espada No campo de batalha Entre flores, cheiro de pólvora, Meu fuzil, fiel amante... Na baioneta cravada, aponta...  Como será cair sobre este verde da relva Deixar vazar o rubro de mim Encharcando o prado com o meu sangue de soldado Sou infante Sou um homem Sou ainda menino... Num grito arfante O brado ecoante sobre estes campos... Sob o céu azul E sem ninguém deixar cair a ultima lágrima Sem sentir ou sem querer Seria tarde , seria manhã de sol ardente Ou anoitecer no recolher das andorinhas... O tempo me diria ? Ou dirá num futuro , logo mais... Qual a razão de persistir nesta luta Abraçado na garrafa De liquido amargo De braços ancorados num balcão... Virando a noite Relembrando atos heróicos Feitos ou Falhos... Mas ali, é réstia de vida...   Querendo a vida que não tem... #poethaabiliomachado...

O som da noite

Imagem
  O SOM DA NOITE Me vi na madrugada Nu, sentado à mesa Sedento, saquei a rolha sorvi o vinho Na taça velha Tantas historias Que me alimentei das memórias... A rádio na sua loucura mistura Mistura música e minha mente O gosto do vinho, Tinto e seco Um Comtè de Bélier Companhia desta madrugada Quase fim de noite Quase início de outra manhã... O frio é um misto sentimental Elevada potência de saudade Palavra triste nesta estrada Na dor deste ser Ora sofredor  Ora merecedor Em solidão estranha... Que me ofereces ó Lua ?! O som da noite... Sob a luz trêmula da vela. Neste ruído de meu coração  em pedaços...  Dilacerado... Seriam apenas ruidos Ou serão os sons dos estilhaços  Que teimam em retornar E atormentarem minhas horas insones!!!! Sangrando relembrando De tantos amores... #poethaabiliomachado #osomdanoite #feitaagora240618

O que não aconteceu

Imagem
  O Que Não Aconteceu Abilio Machado Vivo longe do amor que sonhei viver, como quem caminha por estradas paralelas, onde cada encontro parecia tardio, Onde cada desencontro padeciam em  cada silêncio que ocupava mais e mais  espaço do que todas as palavras guardadas. Resolvi seguir adiante, adoecido de corpo, espírito, de alma... troquei a esperança pelo movimento, soltei das mãos aquilo que nunca chegou, e foi justamente quando parei de esperar que percebi o lugar vazio que você jamais escolheu habitar. Hoje levo essa ausência com serenidade, não como ferida aberta, uma cicatriz dolorida,  como uma lembrança que em algum tempo retorna a se mostrar. Porque até os sentimentos inacabados ensinam, e há momentos em que amar significa ter coragem de partir. Há momentos em que amar Exige ter coragem de abrir a gaiola E deixar o outro voar... Autor: Abilio Machado

Num 06 de junho....

Imagem
  Num 06 de Junho É belo saber que o amor de Jesus se renova por cada um de nós a cada dia. Nenhum dia é igual ao outro. Basta contemplarmos a natureza logo pela manhã e olharmos para o céu. As cores que o pintaram ontem não são as mesmas que o colore hoje. Há manhãs iluminadas por um sol vibrante e há dias em que, num instante, antes mesmo do entardecer, o cinzento toma conta do horizonte, trazendo consigo o frio e as lembranças. Para mim, o dia 6 de junho sempre carrega uma memória muito especial. Foi em 6 de junho de 1983 que meu pai partiu. Ainda hoje recordo aquela tarde como se tivesse acontecido ontem. Eu estava terminando de varrer a casa, vassoura nas mãos, quando chegou Dona Maria de Jesus, assistente social da Incepa, empresa onde meu pai trabalhava. Ela entrou e perguntou: — Sua mãe está aí? — Sim, está deitada. Então, com um olhar que misturava tristeza e preocupação, ela respondeu: — Não sei como contar a ela que seu pai morreu... Naquele momento, parecia que todos se...

“Há Pessoas que Partem Antes de Ir”

Imagem
  “Há Pessoas que Partem Antes de Ir” Tem gente que não vai embora… apenas vai apagando a luz dos cômodos que um dia habitou dentro da gente. As portas e janelas vão se tornando cada vez mais apertadas,  ou se fechando até o apagar da luz e virando réstia... Primeiro muda o tom da voz, depois a pressa em responder. O olhar já não repousa, A ansiedade é palpável da fuga, o abraço perde morada, Sem aperto e quentura do espírito, e até o silêncio passa a soar estranho. Há despedidas que não fazem barulho de porta batendo. Fazem eco. Eco de lembranças caminhando sozinhas pelos corredores da alma. E a Alma sente... Mas não aceita, ainda... E talvez o mais duro não seja ver alguém partir. Seja perceber que a presença ficou no corpo, mas a essência já arrumou as malas faz tempo. Aprendi, sentado nos bancos da vida, entre um chimarrão frio, Um café na mesa com torrada e manteiga sem sal, Um passeio sozinho, No cinema que perdeu a existência de ir,  Um horário de visitas no hospit...

BOA É A NOITE

Imagem
  Boa é a noite… quando o céu se deita manso sobre os ombros cansados, e o dia, já silenciado, repousa como quem cumpriu sua missão. Boa é a noite… quando a alma, ainda quente das batalhas, encontra abrigo no sopro suave da paz, e os pensamentos deixam de correr para simplesmente existir. Boa é a noite… abençoada não pela ausência de lutas, mas pela presença de um Deus que sustentou cada passo, mesmo quando os pés vacilaram. Há um descanso que não vem do corpo, mas da certeza — de que tudo o que foi vivido não se perdeu no tempo, foi recolhido nas mãos do Senhor. E então… o silêncio fala. Não como vazio, mas como promessa. Boa é a noite… porque ela não encerra — prepara. Ela não apaga — semeia. Ela não cala — sussurra esperança. E enquanto os olhos se fecham, o coração vigia em fé: há um novo amanhecer sendo tecido, linha por linha, pela graça que nunca dorme. Dorme, alma… não por fuga, mas por confiança. Porque amanhã, quando o sol tocar tua janela, não será apenas mais um dia — s...

Aqueles...

Imagem
Aqueles ... Por Abilio Machado   Muita gente cruzou o meu caminho. Alguns ficaram por um tempo, outros partiram sem aviso, e houve aqueles que simplesmente escolheram ir embora. A vida, com sua brevidade e seus pesos, ensina — às vezes de forma dura — que chega um momento em que falar menos e ouvir mais se torna quase uma necessidade. Cansa… cansa das tentativas, das repetições, das ausências. E então a gente segue — não porque está tudo bem, mas porque parar também não resolve. É como caminhar por uma estrada longa, silenciosa, onde o eco dos próprios passos faz companhia. Os dias escorrem, os anos aceleram, e eu continuo. Carrego saudade de alguns, de muitos até… de outros, nem tanto. E está tudo certo assim. No fim, o que resta é o movimento — esse seguir em frente, mesmo sem saber exatamente para onde. E eu sigo… caminhando ou sobrevivendo, não sei!