“Há Pessoas que Partem Antes de Ir”
“Há Pessoas que Partem Antes de Ir”
Tem gente que não vai embora…
apenas vai apagando a luz dos cômodos
que um dia habitou dentro da gente.
As portas e janelas vão se tornando cada vez mais apertadas,
ou se fechando até o apagar da luz e virando réstia...
Primeiro muda o tom da voz,
depois a pressa em responder.
O olhar já não repousa,
A ansiedade é palpável da fuga,
o abraço perde morada,
Sem aperto e quentura do espírito,
e até o silêncio passa a soar estranho.
Há despedidas
que não fazem barulho de porta batendo.
Fazem eco.
Eco de lembranças caminhando sozinhas
pelos corredores da alma.
E a Alma sente...
Mas não aceita, ainda...
E talvez o mais duro
não seja ver alguém partir.
Seja perceber
que a presença ficou no corpo,
mas a essência já arrumou as malas faz tempo.
Aprendi, sentado nos bancos da vida,
entre um chimarrão frio,
Um café na mesa com torrada e manteiga sem sal,
Um passeio sozinho,
No cinema que perdeu a existência de ir,
Um horário de visitas no hospital, solitário,
e esses pensamentos que insistem em amanhecer comigo,
que certos finais não chegam para ferir.
Chegam para ensinar,
O quê?
_ A dor do despertar.
Que afeto sem presença
vira fotografia amarelada pelo tempo.
Apenas fotografias presas num álbum perdido no fundo do armário
Ou em algumas pastas no computador...
Porque amor que mora só na memória
é como casa abandonada:
ainda tem paredes…
mas já não tem calor.
E assim o tempo nos avisa...
O sopro do tudo virou um nada
O tempo se foi...
— Abilio Machado, Poetha
#21052608h50

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