A REVOLUÇÃO DE 1893: MARAGATOS X PICA-PAUS
A Revolução de 1893
MARAGATOS E PICA-PAUS.
A Revolução Federalista tinha como objetivo a troca de oligarquia que estava no poder, representada por Julio de Castilho, liderada por Gaspar Silveira Martins, que fora alijado do governo com o golpe militar de 15 de novembro de 1889.
A Revolução Federalista é uma história de intolerância, violência e fanatismo político. Cento e quinze anos depois ainda é difícil compreender as atitudes brutais que dividiram o Rio Grande do Sul em maragatos e pica-paus. Os mara gatos eram os revolucionários. Receberam o apelido porque nas tropas de Gumercindo Saraiva havia vários espanhóis residentes em São José, no Uruguai eram oriundos da mara gataria do norte da Catalunha - Espanha. O termo foi usado para signiftar que os invasores eram estrangeiros.
Os revolucionários eram também chamados de gasparis tas em alusão ao lider civil Gaspar Silveira Martins. Usavam como distintivo um lenço vermelho no pescoço ou fta da mesma cor no chapéu, menos Gumercindo Saraiva que usava no pescoço um lenço branco por ser a cor de seu partido (Blanco) no Uruguai.
Os republicanos eram designados de governistas, cas tilhistas e pica-paus. Sobre este apelido há duas versões: uma porque as tropas do governo usavam um enfeite ama relo na barretina, semelhante a crista do pássaro pica-pau, a outra, que as armas detonadas faziam um som parecido com o do pica-pau batendo nos troncos das árvores.
O governo estadual tinha na Brigada Militar sua força bélica básica. Os chefes políticos e oficiais, da antiga Guar da Nacional, formaram os Corpos Provisórios que reuniam milicianos para defender determinada região.
Os líderes revolucionários não estabeleceram seus obje tivos, porque desejavam angariar o maior número de adep tos, mesmo de diferentes correntes políticas, misturando republicanos dissidentes, monarquistas, conservadores, liberais e parlamentaristas. Conforme observou o médico Ângelo Dourado, que acompanhou as tropas do gen. Salga do, a maioria dos soldados revolucionários lutavam apenas por um objetivo: Vingança.
Julio de Castilho era o chefe civil dos republicanos, tendo sob suas ordens os comandantes militares gen. Francisco Rodrigues Lima, gen. João Teles, cel. Mena Barreto, maj. Chachá Pereira, cel. Joaquim Tomás dos Santos Filho e cel. João Francisco, apelidado de Hiena do Cati
O chefe civil dos revolucionários era o senador Gaspar Silveira Martins, que desde a guerra do Paraguai sempre fcou distante dos combates, gozando os confortos dos salões onde se tornava irresistível com sua palavra fácil e habilmente manejada, fazendo seus argumentos com rasgos de eloqüência, transmitindo entusiasmo aos ouvintes. Era imprevidente e sem iniciativa, deixando as coisas aconte cerem com o correr do tempo.
Apesar das reclamações dos chefes militares da revolu ção, durante quatro meses não liberou dinheiro para compra de armas e munições, que estavam num navio ancorado no Porto de Montevidéu.
Os principais chefes federalistas eram Gumercindo Sa raiva, seu irmão Aparicio Saraiva, gen. Luis Alves Salgado, gen. João Nunes da Silva Tavares, ten - cel. Felipe Portinho, Rafael Cabeda, Ulisses Reverbel, Prestes Guimarães, cel. José Serafim de Castilho (apelidado de Juca Tigre), cel. Torquato Severo, gen. Carlos Piragibe, alm. Eduardo Wan denkol e alm. Luis Felipe Saldanha da Gama.

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