Sarjeta politica




A sala está escura, a família reunida. Pais, avós e os dois filhos. No centro da mesa farta, apenas uma vela.

Todos apreensivos, ainda não tocaram na comida, o barulho está lá longe num crescente. Cada um pensa no que aconteceu no dia, o que fôra feitobdesde a manhã. Escola, caminhada, repartição, compras, fofoca, telefonemas, corredores, caixa do banco, envelopes, mais telefonemas. O filho que tanto rebela-se, quer saber por que não o chamam pelo nome de gênero, a mãe tenta explicar:_ amadinho, você ganhou o nome para homenagear seu avô Ehleon e  agora que trocar por Joaquina...Entenda, é doloroso.

A filha do lado oposto está estupefata: _como você é egoísta! Nosso mundo acabando é você querendo trocar de nome ? Me contem, porque tinha de ser assim, eihm ?

O pai com uma calma inimaginável fala, explica a ela, conforta com uma tristeza imensa, volta a sentar à mesa, não toca na comida, olha para o pai, para a mãe é não solta um pio.

O menino que quercservtratada como menina, não entende o porquê estão tão nervosos, conhece o pai, aquela calma é a evolução para um monstro. Os vários telefonemas, o porquê o pai desligou a TV, o Wi-Fi da casa, os smartphone tomados, arrancados de sua mão bem quando ia falar ao João Pedro o que vinha a semanas ensaiando...Mas come, bebe, repete.

Aquele barulho que estava longe está muito, muito perto, mesmo de janelas com cortinas fechadas as luzes brilham, azul e vermelho.

A menina coloca as mãos aos ouvidos, o rapazote dá um sorriso maroto pois as luzes lhe lembrou aquela noite, aquela fuga, aquele bofe...

O pai coloca as duas mãos sobre a mesa quase ao mesmo tempo que a mãe grita e a porta é rebentada por um pontapé.

A sala de mesa posta é iluminada !

Neste momento não importa o cargo político, o nome de família, a mesada sobressalente, as viagens a Porto de Galinhas, a combo de noites em Buenos Aires, ir a Abadia, navegar pelas Ilhas gregas sempre nos fevereiro em que no Brasil é carnaval.

Aquele momento tido fica a descoberto, as escolas caras, os carros novos, a lancha veloz, os vários cartões, as várias contas... Para cada um a realidade se transforma...

Tudo some assim de uma hora para outra...

Qual detritos pela chuva lá fora !

Esta escuridão política apavora!


#poethaabiliomachado 

#Sarjetapolitica

#12Nov201020h50

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