O ATOR

 ATOR

Quem respira sobre o linoleo

Põe os pés sobre o palco

Mostra muito de si

Exala sua persona

Exalta seu self

Seus egos

Os medos e os cantos cegos...

A olhar com ternura a Édipo

A ler com sensatez a Brecht

A saber da força de Antígona

A loucura de Medeia

Na sua vingança medonha...

Ao ator cabe louros

Dor, lágrimas, o aplauso, o coro

No afã de uma Jocasta

No beijo de despedida de Aprigio

No Vestido de noiva

sob o Telhado de zinco

Um Anjo negro

Nos Poemas de Amor

Nas mazelas de Otelo 

Num bonde que como a vida se chama

Desejo

Com beijo de um Caipira

Curumim ou de Guarani...

O sangrando em Bodas

Levantando da Morte

E padecendo ao Suco de Laranja.

Ao clamar Não matei Veronica

No jantar...

As máscaras sobrepõem

Se fazem por si...aqui e ali

Sob as luzes coloridas

Aconpanhada vida por uma sonoplastia qualquer

Que se faça o retrato

Que retrate os sonhos do ator...

Que fica em silêncio

A olhar para si

Ator ou persona

Frente ao espelho no camarim...

Apagaram as luzes

Todos se foram: Fim...


#poethaabiliomachado

#compartilhandoaalma

#01mar2015



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