VELHO CASACO
Coloquei no meu velho ombro
Um casaco velho
Não servirá não
Para alguém deitar-se sobre ele
Não terei viúva
Nem quererão cobrir meu corpo nu com ele
Não será proteção
Não será guarida
Nem cobrirá seus ombros finos
Não terei viúva alguma.
É como se tal como eu
Morresse o velho casaco
Assim como morre comigo minha arte
Minhas palavras
Meus versos
Assim como morrem comigo as cores de minhas tintas
Desbotando das telas e dos papéis
Assim morrendo a luz do lampião
O som da minha gargalhada
Da minha voz embargada ao declamar os amores e desamores
No trovejar de meus sentidos quando me olho no espelho
E vejo ali meus antepassados
Esta história que finda...
E que ecoa pela célula na insana pergunta:
__E quem sou eu ?!
Desdobrando a frase de Carpinejar... digo:
__ Em minha vida nenhuma folha ficou em branco,
foi apenas tudo tão rápido que mal consigo reconhecer minha letra.

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