UM HOMEM MORREU
UM HOMEM MORREU
É , parece que morreu
Morreu sim...
Hoje um homem morreu...
No seu linguajar doce e infantil
No seu andar cauteloso
pobre velho de cabelos cans...
No seu tato insensato
De homem amargo
Sôfrego abandonado
Pelos filhos,
Pelas amantes,
Amados seus...
Ontem um homem morreu
Morreu sim...
Morreu em seu silêncio
Silêncio emudecido na violência castrada da ideologia pragmática de um paradigma qualquer...
Morreu neste ruido taciturno escondido
Sob a mesa do antigo inimigo da era militar
Que agarra-se aos seus restos de sem voz...
Amanhã...
Amanhã morrerá um homem
Sim, morrerá.
Soterrado pelo barro dos acertos fiscais
Afogado nas enchentes destas chuvas tropicais...
Morrerá moribundo em alguma fila de um destes hospitais
Dará seu último suspiro enquanto um perito aproveita Aspen na sua meta negativa anual...
E, todo dia um homem morre
Quando morre nele
O amor do amanhã
Não o amor do umbigo desapropriado
Mas aquele que não olha o sexo
A crença
Ou sua cor...
O homem morre
Quando morre o homem...
E quando morre você?!
Na mordida frouxa
No beijo não dado
Na beira da água
No vôo pro nada
Vôo pro céu...
#PoethaAbilioMachado
#umhomemmorreu
#09Nov2015
😘🎅🏻😘

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