A MORTE D’UM PALHAÇO

 


A MORTE D’UM PALHAÇO


E a cortina foi abrindo

bem de mansinho

escancarou a vida

era ele no palco

a plateia que olhava...

não tinha barulho

só respiração

uma música que doia…


Seu corpo rigido

sacudiu

o seu nariz caiu

ele olhou amedrontado

a máscara

me abandonou

a máscara

onde foi

a máscara fugiu

seu íntimo lhe gritava

as lágrimas a maquiagem lhe borrava

sua voz saiu esganiçada

embargada

enquanto tentava pegar aquele ponto vermelho

que de seus dedos trêmulos escapulia…

a cada passo desajeitado

a cada desacordo com a luz

a cada sorriso incolor

na piada sem graça

na palavra mal dada

mais o publico delira….


mais tremor lhe consumia

e uma dor algoz

apertou-lhe o peito

esbugalha então seus olhos

e ali sob o linóleo

lhe tirava a vida

em último suspiro

quando enfim o nariz

no nariz se fazia

palhaço novamente

em seus pensamentos

o que fazia ele ali

e aquela toda gente

ficou no chão inerte

enquanto a platéia em pé,

aplaudia…

e sua cabeça tombava ao lado,

lentamente…


#poethaabiliomachado

#amortedumpalhaço

#28jan2117h06

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