CAI A CHUVA

 



Cai chuva sobre o corpo envelhecido
De mãos trêmulas
Pernas inseguras
Molha mais profundamente
Que pele
Adentra à Alma.

Lava ests vida
Podiam ser gotas de algodão
Mas atingem a face
Como pequenas pedras afiadas
Gerando pequenos arrepios
Acordando centenárias células.

A terra umida
A poeira asssenta
o perdigueiro se esconde
A preguiça o alcança
É manhã de ficar jogado ao canto
E nos  lábios do velho
O assovio invade o ar....

Que espaço é esse
Entre o silêncio absoluto
O barulho do mar
O arrulhar de pássaros
É um estar e não estar
É saber do tamanho
Da grandeza e da nudez
Espírito meu que viaja
Entre as nuvens úmidas do ar.

Nas telhas a mesma melodia
Água que bate,
Escorre, desliza,
Cai, se eterniza
Explode no chão!

Cai a chuva.
Aproveite e acalme também minha dor
Apague as marcas,
Mas não os rastros do passado
Quem sabe meus amores
Venham me alcançar
E no lugar deste assovio triste
Volte a sair de minha boca
O meu cantar!

#poethaabiliomachado
#caiachuva
#25jan2111h19

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