Um pouco a cada dia...

 



Ela aquele dia me sorriu com o semblante ingênuo, que me fez convidá-la para ir ao teatro, fomos assistir ENTRE DUAS MULHERES no Teatro Rodrigo D'Oliveira, a peça estrelada pela irmã de Pitta uma ex professora.

Tudo me parecia a criação duma nova estação, de outro eu, um novo estado, entre o líquido e o gasoso. Entre o silêncio e o zumbido. Entre a solidão e sua companhia. Passei a não fazer mais nada sozinho. Escondi meus deletérios, deletei meus infernos, minhas intempéries. Artesão que sempre fui, recriei-me a partir de inéditas matérias-primas, primeiro a matéria, depois as rimas, das palhetas e suas cores, das palavras que emergem de algum lugar a meus montes de textos. A clara evidência de sua pureza em clarividência, era sabermos que por hora nos completávamos. Opaca era a minha estação dando lugar à exata estação dela. Ela estava ali, e fazia correr nas noites para ir encontrá-la, quando me desejava, quando me queria, e éramos felizes nas noites frias. Estado de quase perfeição. Queríamos perpetuar o ão de paixão.

Nela, eu me perpetuava. Me contemplava. Me fazia dela e ela parecia se fazer de mim.

Por tudo o que eu desejei e quis.

Por ela, me refiz.

E num dia, ela me entra pela porta da sala, eu já a esperava, simplesmente me diz:

__Resolvi dar um tempo, por isso vim pegar algumas coisas minhas e de nossa filha...

E até este momento não mais voltou ...

Por ela, tenho morrido um pouco a cada dia.


03fev2018

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