ESTRANHA É A NOITE ...



Estranha é a noite...

Deste início de agosto...

É uma sensação estranha, a gente acorda, sozinho 

E já é alta a madrugada e poucas são às horas que nos dará o dia 

A cidade adormecida e ao mesmo tempo a mente está a povoar—se 

É como se captasse todas as emoções da cidade.

Cada casa, cada indivíduo, cada família, cada jovem, cada criança. 

Cada um com seus temores, com suas guerras próprias, suas misérias ou seus confortos...

Penso naquelas vidas escuras, vãs criaturas que não vivem, apenas sobrevivem. 

A quantos bebês choraram nesta noite? Molhados, com fome . 

E nos plantões quantos atendimentos? Quantos era um resultado à insana violência e da cruel  ignorância? 

Penso naqueles ao leito hospitalar que se reviram, porém as dores lhes são chicotes à Alma . 

Alguns profissionais ainda com piedade se dispõem a lampejos de alívios nem sempre conquistados ou respondidos. 

Há ali todo tipo de dor: a física, a mental e a espiritual. 

A dor do crime, da doença e do desastre. 

Pode lhe parecer estranho porém em mim me dói a dor destes outros tão estranhos. 

Estranhos à sua própria imagem ao espelho de sua alma...

Minha cidade sofre. 

Muitas vezes mal dorme. 

Penso no andarilho com frio, no relento do sereno, na sua higiene, no seu cheiro...

Nas suas companhias estão cães que os escolheram para seguir mesmo que nem sobras lhes restem.

Cães com mais humanidade que os seres humanos...

Porém deles, que seguem, sempre terão ao menos um afago de mão.

E o frio que me acorda por hora também entristece, 

dobro os joelhos ao pé da cama, converso com Deus, Nosso Senhor!

Abilio Machado Poetha


#poethaabiliomachado 

#estranhaehanoite

#03ago2014


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