A MENINA QUE FINGIA Era uma vez, assim sempre começa As historinhas que creio Para falar que sou pai de meninas, tenho a primeira Terceira a quarta E até podia ser chamada a segunda, Mas eu chamo a do meio... Então lá vai... Era uma vez uma menina Quê já nasceu com cara de boneca Tinha aparência angelical Porém era muito, muito, sapeca! Na escola sempre foi muito quietinha Fingia prestar atenção A vida toda por aprender E ninguém percebia O bilhetinho escondido na pequena mão.... Na hora do almoço, em casa, Fingia comer tudinho Mas ninguém descobria na verdade quem comia era o cachorrinho... E causa ela muita estranheza Como esta menininha não passa fome Como não fica doente Sendo que nada, ela come ??? O segredo era quando ia para o quarto Ainda comia escondido aquele ovo, Restolho, de chocolate! Ou o pacote de salgadinho Camuflado atrás do livro Santo! Quê falar das noites, Deitada na cama, Fingia sempre que dormia, Mas sempre ficava ...
🌿 — Coração Assistido Há homens que dizem ter um grande coração. Eu tenho um coração supervisionado. Não é metáfora. É tecnologia. Carrego no peito um pequeno dispositivo que, se meu coração resolver improvisar demais, intervém. Já foram alguns sustos desde que foi implantado... Um corretor ortográfico cardíaco. Um editor elétrico do meu ritmo. Um anjo engenheiro trabalhando em silêncio sob a pele. No começo, a ideia parecia coisa de ficção científica. Metade homem, metade manual de instruções. Mas a realidade é menos dramática e mais cotidiana: ele fica ali, discreto, vigilante, sem aplausos. E então vem o espelho. Há um momento curioso na maturidade: o dia em que você se olha não para arrumar o cabelo, mas para conferir a própria história. Fico diante do vidro observando o relevo suave no lado esquerdo do peito. Não é exagerado. Mas eu sei que está ali. A cicatriz central desce pelo esterno como uma estrada antiga. Não é mais ferida — é travessia fechada. A pequena marca...
A Revolução de 1893 MARAGATOS E PICA-PAUS. A Revolução Federalista tinha como objetivo a troca de oligarquia que estava no poder, representada por Julio de Castilho, liderada por Gaspar Silveira Martins, que fora alijado do governo com o golpe militar de 15 de novembro de 1889. A Revolução Federalista é uma história de intolerância, violência e fanatismo político. Cento e quinze anos depois ainda é difícil compreender as atitudes brutais que dividiram o Rio Grande do Sul em maragatos e pica-paus. Os mara gatos eram os revolucionários. Receberam o apelido porque nas tropas de Gumercindo Saraiva havia vários espanhóis residentes em São José, no Uruguai eram oriundos da mara gataria do norte da Catalunha - Espanha. O termo foi usado para signiftar que os invasores eram estrangeiros. Os revolucionários eram também chamados de gasparis tas em alusão ao lider civil Gaspar Silveira Martins. Usavam como distintivo um lenço vermelho no pescoço ou fta da mesma cor no chapéu, menos Gum...
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