A VOZ DE MIM

 


"Para quem devo olhar?

O que devo fazer para chegar aonde ainda

não sei?

Silencie, sussurra a intocável voz dos séculos.
Olhei para a terra
daqui até aquela linha febril
era fim de tarde setembrina
E aconteceu o chamado, 
o esperado momento,
o silêncio apertava o nó ma garganta
me desconstruia, de mim apenas
criava um nós...
E descobri assim,
nesse momento
o que é o sopro da eternidade...
o sopro do amor que no peito reside.
Algo tão forte
que mistura no tempo
do meu templo
A saudade de minhas verdades
A esperança de meus desejos
A pele, o corpo, o cheiro
os cabelos molhados
o sussurro ao ouvido
o suor provocado
O eu em ti
e você em mim
Abro os olhos e vejo o quarto escuro
procuro o cheiro de mim
de ti
animais...
E volto a me perder em meu silêncio
nas inflexões do eu fui
o que sou
onde vou...
o carrilhão deu seu gemido das horas
e eu...
Sou todo o silêncio
Já não mais apavora,
Não há mais sinos externos
o amor é um jarro d'água
que em fragmentos
espalhou-se em tudo no todo
centelhas, espelhos de mim!
Estou só!

Poetha Abilio Machado
"A voz de mim"
O EU EM ECOS DE MIM-Poesia d'Alma
3h54 221122

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