Entre Dedos
Entre os Dedos
Não há romance, nem nome, nem rosto —
só o corpo pedindo silêncio e espaço.
Entre os dedos, um mundo exposto
se dissolve no gesto e no compasso.
É íntimo, cru, sem poesia forçada,
mas há beleza no que se acalma.
O prazer não mente, não dá em nada —
mas devolve ao peito alguma palma.
O gozo vem como quem sabe
onde o cansaço mora escondido.
Não é amor, mas cabe,
e alivia o que vinha doído.
Sozinho, sim — mas não vazio.
O toque é pouco, mas é inteiro.
Ali, no fim do breve arrepio,
um homem volta a ser por inteiro.
#EntreDedos
#PoethaAbilioMachado
#100525

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