Melancolia
A melancolia que carrego é meu inferno não o inferno -das chamas vorazes, mas o da brasa lenta, da chama sutil que consome sem alarde. É nela que existo, e em sua escuridão encontro meu lugar, um refúgio tortuoso que, ao mesmo tempo, me acolhe e me fere.
Ela é meu lar, o espaço íntimo onde habito, onde cada lamento ecoa como música familiar. A tristeza, essa companheira implacável, me molda, me define em cada suspiro soturno, como se a dor fosse a única forma verdadeira de me reconhecer. Sem ela, sou uma sombra sem contorno, perdida na vastidão do que não sei ser.
Eu não desejo deixá-la.
O ímpeo de desvendar-me permanece, mas só dentro desse abismo é que me encontro inteira. Não há ruptura que me liberte, pois sou feita dessa dor que se enlaça ao meu peito como uma âncora, e nela navego.
A melancolia é minha catarse e minha essência, e, mesmo que ela me consuma, prefiro arder em sua escuridão lenta a ser qualquer coisa distante de mim mesma.
#melancolia
#poethaabiliomachado
#madrugada170525
Imagem: Vika Glitter -pixabay

Comentários
Postar um comentário