Sentado à beira da cama, ele pesa
o tempo nos ombros, sem pressa.
A meia idade não avisa — chega
como quem entra e fecha a porta.

O quarto não responde, só respira.
O corpo ainda é seu, mas já duvida.
As mãos pousadas entre os joelhos
guardam histórias que ninguém ouve.

Não há drama, só ausência.
A mulher foi, os filhos crescem,
e os amigos agora falam menos —
ou falam só do que envelhece.

O homem ali, meio nu, meio mundo,
sem camisa, sem rumo, sem desculpa.
Só.
Mas inteiro em sua falta.


#Só

#PoethaAbilioMachado

#220525

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