NÃO FIQUE TRISTE PORQUE EU NÃO PARTI

   


NÃO FIQUE TRISTE PORQUE EU NÃO PARTI…


Eu sei…

pode parecer um pouco frustrante.

Talvez você já tivesse até preparado um discurso bonito,

ensaiado uma lágrima discreta,

separado aquela roupa sóbria — elegante, porém com sofrimento.


E eu… fiquei.


Desculpa aí por estragar o roteiro.


Sei que nem todo mundo torce por finais longos.

Alguns preferem capítulos encerrados,

histórias bem resolvidas,

gente que não volta para continuar sendo… gente.


Porque continuar, às vezes, dá trabalho.


Se eu não partir,

vou continuar sendo aquele que erra o tom,

que fala o que não devia,

que, em algum momento, atravessou sua paz com palavras tortas.


E por isso…

me perdoa.


Não por ter ficado,

mas por ainda carregar comigo versões minhas

que talvez tenham te machucado.


A gente não volta melhorado da noite para o dia,

nem reescreve o passado com borracha limpa.

Mas dá pra olhar pra trás com mais cuidado…

e pra frente com mais verdade.


Se eu não partir,

vou continuar aqui — meio rascunho, meio tentativa —

tentando ser alguém mais leve do que fui ontem.


E se, por acaso, existir em você

algum ressentimento guardado em silêncio,

daqueles que a gente finge que esqueceu

mas revisita de vez em quando…

quem sabe hoje não seja um bom dia pra soltar?


Não por mim.

Mas por você.


Porque guardar mágoa

é como segurar um copo de água por tempo demais:

no começo parece leve,

depois… pesa.


E olha…

já que eu fiquei,

vamos fazer desse “imprevisto” alguma coisa boa?


Nem precisa virar abraço apertado,

nem reconciliação de novela.

Às vezes, só diminuir a dureza já é um milagre cotidiano.


Então…

não fique triste se eu não partir.


No máximo, dê uma risadinha de canto,

tipo quem pensa:

“é… esse ainda tá por aqui.”


E eu estou.


Com defeitos revisados,

culpas reconhecidas,

e uma vontade sincera de não ser o mesmo erro repetido.


No fim das contas,

ficar…

também pode ser uma forma de recomeçar.

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