DIA DAS ILHAS!

 


Os pais são tipo ilhas, muitos vêem seus torrões se deslocarem, porém mantém o contato, mesmo com a passagem do rio, do lago ou da baía. 

Há pais que hoje choram, solitários, em estado de ilha, perguntando a si onde se foram seus pequenos torrões levados pelas marés.

Existe dentro destes pais um vai e vem de instantes na procura do onde, do como e do porque...

Pais que quando perguntados pelos filhos, se refere com imagens do passado, nas belas imagens do passado, as atuais são por demais doloridas, geralmente construída por antigas parceiras  vingativas, que buscam destruir não apenas uma relação, mas também a imagem e brilho que havia.

O estado das coisas. O estado de ilha. O estado de perda. O estado de luto constante. 

Que piada mais sem graça foi esta que a vida lhes prega, pobres seres desprovidos de receber afeto de sua prole.

Incorporam Lear nos seus dias, dando razão ao poeta quando fala sobre a velhice em abandono, sobre renegar a primeira célula, em se desfazer da figura como se apenas da luz surgisse.

Cada torrão desprendido do todo da ilha responderá sua desculpa: a instância da maré, a força das ondas, o empobrecimento da terra.

Se esquecem torrões que na essência de seu composto a ilha ainda existe, porém depois de engolida como Atlântida, só lhes sobrara esta essência para que lembrem que eram também parte da ilha, será porém apenas mito, algo que existiu, uma ilha que passou os seus finais a lembrar dos torrões que já foram seus.


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