Limiar Do Eu Em Mim Mesmo

 


*Limiar Do Eu Em Mim Mesmo*


Cruzo a linha no chão e me dizem: aqui é sanidade, ali é loucura. Mas a tinta é gasta, o limite se apaga, e quem pode jurar que não foi o mundo que enlouqueceu?


Cresci entre vozes que não ouvi, gestos que não tinham dono, frases que dançavam no ar como se o tempo fosse um eco. Diziam-me: isso não existe, mas se não existe, como pode me tocar? Se não existe, por que o silêncio o teme tanto?


A loucura não é um grito distante, ela mora nos olhos que desviam, no receio de perguntar de novo, na certeza que não tenho certeza de nada.


O real se dobra, se torce, se desfaz. Se tudo é uma construção, onde está a saída? Se os olhos mentem, se os dias se repetem, se o chão sob meus pés é um mosaico partido, onde termina a vigília e começa o delírio?


E se a linha no piso for só um risco qualquer, e se não houver lados, nem certezas, nem ordem? Se cruzo ou se fico, se escuto ou se ignoro, não é escolha minha, nunca foi.


Porque quem cresce entre sombras, aprende que a luz também mente.


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